qui. dez 1st, 2022

Cada vez mais, mulheres maduras falam abertamente sobre o preconceito que gira em torno das pessoas acima dos 50 anos. Especialista explica que é preciso desmitificar o estereótipo desta faixa etária nos tempos atuais e que idade não define juventude e nem capacidade física e intelectual

Recentemente, Donna D’Errico, de 54, que ficou conhecida nas séries americanas Baywatch e Baywatch Nigth, sofreu etarismo, através de sua rede social, na qual diversos comentários maldosos foram feitos em sua foto em que estava de trajes de banho. Alguns de seus seguidores alegavam que a atriz “estava muito velha para usar biquíni”, enquanto outros disseram que não ser adequado e nem elegante para a idade.

“Muitas mulheres que estão nessa fase sofrem o chamado etarismo, que é o preconceito e a discriminação baseada na idade”, relata a especialista em longevidade ativa e qualidade de vida da Senior Concierge, Márcia Sena.

A profissional ainda comenta que, infelizmente, a sociedade tem a concepção de que principalmente para a mulher, a partir dos 50 anos de idade, ela deve ter uma vida pacata, assexuada e sem vaidade.

“Mas o que muitos não compreendem é que a mudança na qualidade de vida está gerando longevidade e autonomia. Ou seja, tanto os homens, quanto as mulheres, estão envelhecendo bem e a cada dia estão com aspectos mais jovens, saudáveis e com vitalidade”, complementa Márcia.

Muitas famosas no Brasil já relataram, por meio de suas redes sociais ou entrevistas, que já sofreram ou sofrem etarismo. Ana Paula Padrão, Claudia Raia, Ingrid Guimarães e Fátima Bernardes são alguns dos exemplos. Fátima, por sua vez, foi criticada por conta do seu relacionamento com Túlio Gadelha, que é 25 anos mais novo que a apresentadora.

No caso da Ana Paula Padrão, a apresentadora do MasterChef Brasil, que tem 56 anos, postou em suas redes sociais uma foto de maiô e fez uma reflexão. A jornalista desabafou sobre nunca ter mostrado esse seu lado com medo de ser julgada pela sociedade.

“Mulher séria não mostra o corpo, mulher séria não pode ser sensual. Esse era (e ainda é) o recado subliminar contido nas críticas que as pessoas à minha volta, homens e mulheres, faziam a todas aquelas que ousavam ser felizes sendo elas mesmas”, reflete a comandante do programa da Band.

A atriz Claudia Raia também exprimiu sobre a importância das mulheres em serem livres, em usarem a roupa que desejam, independentemente de corpo e idade. Afinal, a faixa etária não define a capacidade das pessoas na prática de atividades e nas tomadas de decisões.

Cláudia diz que as mulheres são reféns de uma sociedade machista e diminuí-las é mais um jogo para todos. “É como se tivéssemos prazo de validade, como se nosso tempo fosse pautado pelo período em que somos aptas à reprodução e, a partir do momento em que não reproduzimos mais, não servimos para a sociedade”, declara a artista à Veja.

Ingrid Guimarães, também em suas redes, faz questão de reafirmar que a juventude das mulheres não está relacionada à faixa etária.

“Tenho percebido um certo silêncio quando digo que estou chegando perto dos 50. Quando a pessoa quer ser simpática ainda diz: ‘Olha, você está ótima, tá?! Quase como quem diz: ‘Calma, que você não parece velha’. Como se parecer fosse algo a ser urgentemente evitado. Como diz a escritora Miriam Goldenberg, a única categoria social que une todo mundo é ser velho. Então por que esse estigma de algo que todo mundo vai chegar?”, escreveu Ingrid.

A especialista da Senior Concierge se preocupa com a comparação que é feita a respeito do envelhecimento das gerações passadas com o de hoje, em razão de que são realidades e contexto distintos. “Realmente, uma mulher de 60 na década de 60, 70 e 80 era considerada uma pessoa vulnerável. Vale ressaltar que antes, a expectativa de vida em média era até os 45 anos. Já no contexto atual, segundo levantamentos, a esperança de vida é de 75 anos a média, sendo 30 anos a mais”, diz.

Sena, ainda acrescenta que o etarismo gera diversos traumas para a pessoa que sofre, podendo chegar em casos sérios de depressão. Portanto, é fundamental a sociedade se conscientizar o quanto esse padrão imposto e discriminação podem ser doentios.

É importante que as pessoas 50+ pratiquem todos os dias a autoaceitação, além de cuidarem da saúde física e mental para que tenham um envelhecimento de qualidade e possam viver da maneira que se sintam bem consigo mesmas. Principalmente, não se moldando aos estereótipos de velhice que a sociedade impõe. “É preciso saber envelhecer com qualidade, pois, a forma como vamos chegar na velhice é uma decisão que só depende de nós, por isso, é preciso planejar e se cuidar desde cedo. Essa fase da vida, quando bem vivida, proporciona grandes prazeres. Todas as pessoas com mais de 50 estão aptas para explorar as mais diversas áreas da vida, nunca é tarde para começar”, finaliza Márcia.

Sobre Márcia Sena

É fundadora e CEO da Senior Concierge e especialista em qualidade de vida na terceira idade. Tem MBA em Administração na Marquette University (EUA) e experiência em várias áreas da indústria farmacêutica.

Criou a Senior Concierge a partir de uma experiência pessoal de dificuldade de conciliar seu trabalho como executiva e cuidar dos pais que estão envelhecendo. Se especializou nas necessidades e desafios da terceira idade e desenvolveu serviços com foco na manutenção da autonomia dos idosos no seu local de convívio, oferecendo resolução de problemas de mobilidade, bem-estar, tarefas domésticas do dia a dia e segurança.

Sobre a Senior Concierge

É uma empresa com um novo jeito de dar suporte aos 60+, com um modelo de atenção integrada e centrada nas reais necessidades dos maduros. Uma resposta dos novos tempos para um modelo que se esgotou, que é o modelo curativo baseado nas doenças, praticado por outras empresas de home care. Com a proposta de garantir um envelhecimento prazeroso, proporcionando qualidade de vida, bem-estar e segurança dos familiares.