qua. fev 21st, 2024

*Por Marcelo Ciasca

Antes de começar a falar do tema desse artigo, já quero deixar claro que trago a visão de um executivo que trabalha com métodos ágeis e não de um especialista no assunto. A minha intenção é mostrar o histórico das metodologias ágeis e sua atual importância como uma ferramenta de transformação nos negócios.

Com certeza, você já deve ter escutado falar em metodologia ágil, mas sabe a sua origem? Resumidamente, o Manifesto Ágil foi criado em 2001, em Utah, Estados Unidos, por um grupo de 17 engenheiros de software e gestores de projeto com o objetivo de debater modelos “mais leves” de trabalho com menor burocracia e mais sinergia com clientes. A ideia era tornar os processos mais fáceis, flexíveis e adaptáveis à realidade de cada negócio.

O Manifesto Ágil, que inclusive se tornou um documento, é baseado em quatro grandes valores e 12 princípios. Entre os valores, estão:

1 – Indivíduos e interações: mais que processos e ferramentas

2 – Software em funcionamento: mais que documentação abrangente

3 – Colaboração com o cliente: mais que negociação de contratos

4 – Responder a mudanças: mais que seguir um plano

Já os 12 princípios ágeis são:

1 – Satisfaça o consumidor: agregue sempre valor. Não adianta ter um sistema ou projeto em funcionamento, se ele não agrega valor ao negócio do cliente;

2 – Aceite bem as mudanças;

3 – Entregas frequentes: antigamente os processos eram burocráticos e não permitiam mudanças. Com a metodologia ágil, trabalha-se em sprints, que são períodos curtos, possibilitando entregas mais frequentes;

4 – Trabalhe em conjunto: não existe metodologia ágil sem colaboração;

5 – Confie e apoie;

6 – Conversas face a face;

7 – Softwares funcionando;

8 – Desenvolvimento sustentável;

9 – Atenção contínua;

10 – Mantenha a simplicidade;

11 – Times auto-organizados;

12 – Refletir e ajustar: o tempo inteiro.

Apesar de ter nascido para desenvolvimento de software, atualmente, as práticas ágeis são adotadas para as jornadas de produtos e/ou serviços digitais e, também, para processos de consultoria de negócios. Das diversas práticas, as mais adotadas são o SCRUM, o KANBAN, o LEAN e o SAFe, que podem ser combinadas ou não, dependendo do grau de maturidade de cada empresa e dos times que irão desempenhar as atividades.

O objetivo é organizar o trabalho, dentro desses valores e princípios, juntamente com a visão do negócio, da tecnologia e do usuário. Tão importante quanto a transformação digital para as empresas, é a digitalização de uma série de processos, ou seja, ter efetivamente agilidade para, no fim, ter entregáveis mais rápidos e ir evoluindo conforme o tempo.

Vale ressaltar que a pandemia acelerou ainda mais as práticas ágeis. Em questão de dias, grande parte dos negócios precisou se adequar rapidamente para atender a demanda dos consumidores, necessitando de um time to market mais forte.

Gosto de dizer que agilidade não é uma coisa que você compra, é o que você é. E para uma empresa ser ágil, a transformação precisa acontecer em todos os níveis hierárquicos, dos mais altos até os mais baixos. Quando falamos em business agility, relacionamos muito com transformação digital, mas ela, por si só, não é nada se não houver uma transformação cultural importante.

Na prática, não se trata apenas de adotar um método, mas de buscar os melhores resultados de negócios. Com as metodologias ágeis é possível ser mais inovador, fazendo desenvolvimentos curtos e entregas mais rápidas, testando hipóteses, avaliando as demandas dos clientes, que serão livres para explorar o que realmente funciona.

Além disso, ao colocar o produto no mercado em incrementos menores, ganha-se retorno antecipado do investimento ao cobrar mais cedo e obter receita com mais rapidez. Outro ponto é a qualidade, que é responsabilidade de todos e deve ser tratada desde a concepção do produto.

A previsibilidade também faz parte do processo, com foco na adaptabilidade como um motivador principal e, com isso, ela se torna um dos principais objetivos. Por fim, ao focar nas questões cujas soluções têm o maior valor para o negócio, chega-se à redução dos custos.

Um exemplo prático são os bancos digitais. O app está disponível para abrir a conta de forma simples e rápida. Porém, essas instituições lançam produtos com frequência e que nem sempre estão 100% funcionando e/ou disponíveis para todos os usuários, que é o que chamamos de MVP, sigla em inglês para Minimum Viable Product – ou Produto Mínimo Viável.

Ao longo do seu lançamento, os próprios clientes vão fazendo os testes, dando feedbacks para que a empresa trabalhe em cima da qualidade e evolução do produto, disponibilizando entregáveis melhores do que o previamente lançado. Aqui, de forma resumida, temos um processo ágil.

A agilidade nos negócios ou business agility nada mais é do que um conjunto de capacidades organizacionais, comportamentos e formas de trabalho que proporcionam às empresas a capacidade de competir e prosperar na era digital, permitindo responder rapidamente às mudanças do mercado, às oportunidades emergentes com soluções de negócios inovadoras e habilitadas digitalmente.

No fim, é imprescindível saber que nada disso existe e funciona se os clientes e o cidadãos não estiverem no centro e não forem impactados. E quando digo cidadãos é porque hoje já estamos vendo uma grande transformação digital nos órgãos públicos com os lançamentos de aplicativos e demais serviços digitais para resoluções de serviços de forma online.

O manifesto ágil é um documento que foi criado há 22 anos, cujo objetivo era desburocratizar e melhorar a produção de softwares, mas que conseguiu agregar valor com evoluções contínuas, além de reduzir de custos na jornada completa.

Em 2001, ninguém imaginava que tudo isso iria se transformar no que temos hoje: as melhores práticas para as jornadas de transformação digital do mercado. E você, utiliza o business agility na sua empresa?

*Marcelo Ciasca é CEO da Stefanini Brasil, referência em soluções digitais.