qua. nov 30th, 2022

Vivemos uma era de transição na moda, com quebras de paradigmas, de maior permissão e aceitação de estilos diversos, de escolhas diferentes do tradicional. O nosso espírito do tempo é o da diversidade, da multiplicidade, da moda como expressão da individualidade e não como prisão. A quebra de regras na arte de vestir atinge todas as esferas e redesenha o cenário fashion. E o que mais me fascina neste movimento é a pluralidade de olhares sobre a moda, e em particular sobre a moda masculina, tema desta coluna. Pegando como ponto de partida essa produção lindíssima de Diley Almeida, que traz o item mais clássico do guarda-roupa masculino em versões bem fashionistas, coloco uma questão: a moda masculina está preparada para diversidade?

Fabio Monnerat, especialista em moda masculina, afirma que não há regras, formatos e padrões que sejam capazes de dar conta de todos. Segundo ele, a celebração da individualidade é a parte mais linda nas escolhas que fazemos na moda. Ele destaca que a moda masculina está em pleno movimento de expansão e de libertação. Este movimento é flagrante, seja nos desfiles, nas vitrines e nas ruas. Mas, na prática, sabemos que a moda não caminha tão rápido assim, a autonomia na gestão da imagem é um processo que cada um conquista no seu tempo, seja de maneira autônoma, seja com a assistência da consultoria de imagem que atua como um facilitador na conquista do objetivo de imagem. Para quem quer criar ou repaginar um guarda-roupa, começar pelos clássicos é uma boa estratégia. É possível montar um guarda-roupa versátil com poucas peças, priorizando a qualidade, tendo critério, doses generosas de bom senso e muita noção da própria personalidade e do próprio estilo.

Glória Kalil, no seu livro “Chic Homem – Manual de moda e estilo”, pontua : “A moda clássica explicita valores que já foram testados no tempo. O que não quer dizer que clássicos não estejam sujeitos aos modismos, ao vaivém das tendências da moda. Podem dar um show quando aprendem a temperar os modismos com o duradouro, como quando combinam um acessório supermoderno com um terno tradicional. São capazes de surpreender pela personalidade marcante que revelam. Ficam chics e pessoais. Clássicos têm referências sólidas e inquestionáveis do que seja o bom gosto. Isto não faz deles pessoas antiquadas. Ao contrário, estão imersos na contemporaneidade. A única novidade é que não são mais o único padrão de referência da moda e do bom gosto.”