qua. nov 30th, 2022

Marketing indireto é um conjunto de ações publicitárias que focam na produção de conteúdo como um gerador de valor em si, independentemente da renda.

Unindo-se à metodologias e ideias da tecnologia, da gestão, da psicologia e do design, o marketing indireto é a principal aposta das grandes corporações, mas pode também ser uma realidade em empreendimentos mais modestos.

Neste artigo, o leitor pode navegar neste conceito, em seus desdobramentos e aplicações.

O valor de uma menção

Quando alguém menciona o nome de uma marca em uma conversa comum, a motivação para tal atitude está na recomendação ou na reclamação de seu serviço. Esse tipo de interação é decisivo para a conversão orgânica de clientes.

Tal importância pode ser justificada pela confiança que indivíduos devotam àqueles que fazem parte de seu círculo social mais íntimo. Um fenômeno cognitivo pode te ajudar a entender esse processo: o Halo/Horn Effect.

Halo e Horn Effect são vieses ligados à opinião do receptor de uma mensagem em relação ao seu emissor, definindo toda a interpretação de palavras e ações a partir disso. No efeito Halo, a mensagem é percebida como positiva porque o emissor é bem-visto.

Quando alguém influente em determinado círculo social recomenda um curso de micropigmentação fio a fio, por exemplo, sendo este indivíduo um gestor ou alguém de alto status, a recomendação ganha um peso e é mais aceita pelo público.

O Horn Effect, por outro lado, induz a interpretação negativa de uma mensagem proferida por alguém rejeitado pela audiência, percebido como não-confiável, de baixo status ou detentor de características que desagradam o receptor da mensagem.

Assim, a recomendação orgânica se estabelece como um mecanismo poderoso de publicidade. Para replicar o fenômeno observável na vida comum, as marcas tentam recriar o efeito Halo ao estabelecer identificação com a audiência.

A identificação passa por duas instâncias: o reconhecimento, ou seja, a capacidade de visualizar um símbolo e seu significado, e o espelhamento, o ato de visualizar a si mesmo naquilo que é externo, considerando o símbolo como algo próximo de seu “eu”.

Marketing indireto em mídias não-digitais

Os maiores exemplos de marketing indireto podem ser visualizados nas mídias não-digitais, ou tradicionais, aquelas que vieram antes e não dependem da conexão com a internet. Neste grupo se encaixam a televisão, o rádio e as revistas físicas.

Ao acompanhar uma novela, a audiência pode identificar marcas em rótulos de objetos que fazem parte do cenário, como uma garrafa de refrigerante, uma máquina de café ou um pacote de calcinhas avulsas de renda.

A cena continua correndo normalmente, sem que haja qualquer menção dos personagens àquela marca. Do mesmo modo, artistas do audiovisual exibem bolsas de grifes populares ao atender algum evento público, ainda que não haja menção direta ao produto.

Esses são exemplos de marketing indireto e seu poder está no estímulo aos vieses relacionados à intuição e tomada de decisão rápida. Ao associar o símbolo da marca a uma experiência positiva ou a um indivíduo de alto status, cria-se o efeito Halo.

Transformando publicidade em entretenimento

Um dos principais desafios da publicidade é convencer o público a consumi-la voluntariamente. Por muito tempo, peças de marketing foram vistas como algo invasivo, uma importunação que retém o consumidor de visualizar algo que realmente gosta.

Intervalos comerciais no meio do clímax de um filme, anúncios animados no rodapé de aplicativos mobile, ligações de telemarketing, esses são elementos que a audiência pode tentar se livrar do conteúdo publicitário a qualquer custo.

Os serviços de remoção de anúncios mediante pagamento são demonstrações do quanto a publicidade pode se tornar indesejável. Para reverter esse efeito e estimular gosto pelo material de marketing, é necessário inserir fatores de entretenimento em seu conteúdo.

Para vender um remédio homeopático para depressão de maneira mais eficiente, o marketing indireto mescla conceitos da psicologia cognitiva e do marketing para criar peças publicitárias interessantes por si mesmas, criando valor agregado.

Aplicando o conceito no mundo digital

O marketing indireto pode ser aplicado nas plataformas online com algumas ações simples, que devem sempre observar o modelo de comunicação em cada site, o perfil de interação do usuário médio e como o público-alvo busca e consome seus objetos de interesse.

1 – Influenciadores e parcerias

Ao criar uma campanha de divulgação dos serviços de monitoramento 24 horas residencial que uma empresa oferece, buscar parcerias com influenciadores digitais populares em seu segmento é um excelente modo de estimular o marketing indireto.

É essencial que haja compatibilidade entre o conteúdo produzido pelo influenciador e a proposta da empresa, de maneira que ele não tenha que fugir de seu script para divulgar o produto. A ideia é manter a naturalidade máxima destas situações.

Invista em uma assessoria de imprensa efetiva para a realização de parcerias. Recursos como o press kit, uma espécie de presente que dedica a figuras públicas uma “amostra grátis” de um novo produto ou serviço, podem auxiliar a fechar parcerias.

O influenciador digital é uma figura-chave, pois grande parte de seu engajamento é orgânico, fruto do interesse genuíno no que aquela pessoa tem a dizer. Em um ponto digital marcação, as parcerias expandem o alcance da marca.

2 – Criação de conteúdo interativo

O conteúdo interativo é aquele que pode ser modificado, parcial ou totalmente, pelo usuário. Variam desde histórias de RPG até chatbots, com diferentes níveis de tecnologia a ser implementada em sites ou redes sociais de uma empresa.

A ideia do conteúdo interativo é fornecer informações de maneira gradativa, muitas vezes em modelos de storytelling, mediante as ações do usuário. Assim, ele se torna um consumidor ativo da publicidade, fixando-a melhor e mantendo-se interessado nela. 

O conteúdo interativo do marketing indireto é um dos maiores exemplos de ações perpetradas pela própria marca, mas sem ferir o conceito. Crie um enredo que se adeque às necessidades de seu público-alvo, sem com isso apelar a venda.

Em um aluguel escritório compartilhado, o marketing indireto pode ser usado para contar uma história que indica a funcionalidade do espaço divulgado. Nela, com as contribuições do usuário, não há menção direta ao produto: o objetivo é a qualificação.

3 – Serviços online gratuitos

Quem já necessitou de um editor de texto ou se interessou por jogos em dispositivos desktop e mobile, já se deparou buscando por soluções gratuitas. Muitos desenvolvedores oferecem versões gratuitas de software que podem ser melhoradas em uma versão paga.

Essa tática é muito usada nos produtos SaaS (software as a service), o tipo de software que é adquirido não pelo download do arquivo, mas pelo cadastro online na plataforma responsável pela computação em nuvem.

Assim, o usuário poupa espaço de armazenamento e consegue acesso a um software com funcionalidades importantes. De acordo com o uso, ele nota limitações da versão gratuita, que o instigam a buscar pela versão paga. Assim é feita a conversão.

Note que oferecer uma parte do serviço gratuitamente é uma forma de marketing indireto. Nele, não há qualquer voz imperativa de compra, mas a atração sutil do consumidor, que se mantém nos canais da empresa pelo valor agregado demonstrado por ela.

Um serviço de limpeza corporativa pode disponibilizar um cadastro com contas simples e premium, oferecendo para este último vantagens extra. Essas vantagens se manifestam por maior capacidade de armazenamento, velocidade e outros aspectos, como:

  • Maior amplitude de pedidos disponíveis em plataformas delivery;
  • Mensagens privadas ilimitadas com vendedores especializados;
  • Canais diretos de suporte ao consumidor;
  • Serviços de rastreamento de encomendas;
  • Expansão do catálogo de produtos embutidos no plano.

Editores e jogos, mesmo fora da proposta SaaS, podem exibir caixas de contribuição quando o programa for aberto pelo usuário. Essas soluções são especialmente valiosas para empresas que desejam entrar no mercado de tecnologia.

4 – Patrocínio em eventos

Qualquer setor de mercado conta com uma cadeia de eventos. Congressos, feiras e simpósios podem reunir profissionais da área, especialistas, investidores, empresas e consumidores de um produto ou serviço.

Patrocinar a organização de eventos como esses é um modo acertado de marketing indireto. Além de aumentar a autoridade da marca, a prática também ajuda na aproximação do consumidor para a cadeia produtiva de um mezanino garagem, por exemplo.

Caso a empresa esteja ligada ao segmento da literatura, as feiras livres podem facilitar a reunião do público-alvo em um único espaço. Sabe-se que a experiência presencial pode ser reforçada por aquilo que é percebido online, fortalecendo a convicção.

Considerações finais

O marketing indireto é uma resposta aos problemas de comunicação entre organizações e consumidores, um momento na direção das marcas humanizadas, adaptadas ao indivíduo da sociedade 4.0, onde a tecnologia se torna uma extensão da identidade.

Algumas ações básicas podem melhorar as perspectivas de uma empresa em relação ao seu público-alvo, garantindo vendas maiores, uma conversão de leads mais contínua e conhecimentos valiosos para dominar o mercado.

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.