sáb. jan 28th, 2023

Para escolher entre comprar carro 0 km e assinar um veículo, o motorista precisa pesquisar bastante e calcular todas as despesas

No Brasil, ganhou força nos últimos anos os serviços de carro por assinatura. Hoje, muitas pessoas não enxergam mais a mesma necessidade de ter um carro próprio na garagem, tendo que arcar com o grande investimento que é esta aquisição. E por causa disso, esse tipo de serviço tem atraído cada vez mais motoristas.

Por exemplo, com a assinatura do carro, não é necessário pagar o licenciamento do veículo e a revisão dele. O estresse com a parte burocrática é praticamente inexistente. Mas será que essa opção sempre valerá a pena? Entenda melhor sobre o que é este serviço e as despesas dele no texto abaixo.

O que é e como funciona o serviço de carro por assinatura?

Primeiro, vale a pena esclarecer como é o funcionamento de um carro por assinatura. Trata-se de um serviço de aluguel de veículos de longo prazo, no qual o motorista paga para utilizar o automóvel durante um determinado período. Ao contrário da tradicional locação de carros, a assinatura envolve o pagamento de um valor mensal fixo, com contratos que duram entre um e quatro anos.

Dessa forma, o motorista pode dirigir com o veículo por anos e, ao fim do contrato, ele pode tanto renovar a assinatura ou trocar por outro veículo. Nesse modelo, os gastos com IPVA, seguro, documentação e revisões obrigatórias já estão inclusas no valor da mensalidade, com o motorista precisando gastar apenas com combustível, estacionamento, pedágio e eventuais multas de trânsito.

Outro ponto bastante chamativo desse serviço é que o carro do contrato é sempre 0 Km, garantindo assim que o assinante não tenha que compartilhar o veículo com outra pessoa. Isso também acaba oferecendo uma forma de economizar com despesas como emplacamento, que não são necessárias nessas situações.

Contudo, é importante que o motorista esteja ciente sobre as franquias de quilometragem por mês. No geral, elas variam entre 500 km a 2.000 km, sendo que o valor cobrado para cada quilômetro a mais rodado costuma ser caro, com alguns contratos cobrando R$ 4 por quilômetro. Com isso, se a rotina do motorista envolve muitas viagens dentro do mês, é o caso de pensar bem se vale a pena a assinatura veicular.

Despesas: como fica o comparativo?

Para saber se compensa escolher o carro por assinatura, é importante fazer algumas contas e pesquisar bem no mercado pelas opções existentes. Como citado, o valor da assinatura envolve todas as despesas burocráticas, que envolvem emplacamento, seguro, IPVA, declaração de Imposto de Renda, revisões obrigatórias, entre outras.

Para exemplificar, veja o exemplo utilizando o Volkswagen T-Cross Confortline. No começo de 2022, ele poderia ser adquirido por R$ 149.260. Entre as despesas dele, pode-se listar R$ 391 de emplacamento, R$  11.941 de IPVA (que varia de acordo com o estado), R$ 145 de licenciamento no segundo ano, R$ 14.180 do seguro 5% e R$ 1.493 de manutenção imprevista, correspondente a 1% do valor do veículo.

Com isso, o valor total da compra mais o uso após dois anos seria de R$ 177.409. Quem optasse por vendê-lo após esse período, teria no veículo um valor residual de ainda 80% do valor original, ou seja, R$ 119.408. Assim, fazendo o cálculo, o gasto “real” do carro no período de 24 meses seria de R$ 58.001.

Já assinando o mesmo modelo, a mensalidade média dele seria em torno de R$ 2.439. Em 24 meses, isso corresponderia a R$ 58.536. Uma diferença de apenas R$ 535, sendo que a assinatura dispensaria o motorista de se desgastar com a burocracia envolvendo os documentos do carro e também o processo de venda dele.

No entanto, em outras situações, essa diferença pode ser maior. O Fiat Mobi Trekking, também no início do ano, tinha o valor de compra de R$ 62.690. O emplacamento tinha um valor de R$ 391, o IPVA de R$ 4.983, o segundo ano do licenciamento de R$ 145, o seguro 5% de R$ 5.918, a manutenção imprevista de R$ 623 e os gastos com revisões até 24 mil km era de R$ 1.166.

Com isso, o valor total do veículo de compra e uso totaliza R$ 75.515. Como o seu valor residual após 24 meses é de R$ 49.832, o gasto “real” do veículo nesse período é de R$ 25.683.

Entretanto, o custo da assinatura deste modelo estava na média de R$ 1.649, o que totaliza cerca de R$ 39.576 em dois anos. Uma diferença bem maior do que no exemplo anterior, de R$ 13.893, com a assinatura sendo mais custosa.

Mas vale lembrar que essas comparações são feitas valendo-se da compra à vista dos veículos, o que não costuma ser o mais comum. No caso do financiamento, o valor dos juros das parcelas acaba encarecendo o valor final que o motorista tem com o veículo 0 km, o que pode tornar a balança mais favorável para a assinatura.

Outro ponto é a depreciação do carro. Ela é mais forte nos primeiros anos, mas torna-se menos impactante nos anos seguintes. Mesmo assim, quanto mais tempo passar, o dono conseguirá recuperar menos dinheiro do que investido originalmente.

Em todo caso, é imprescindível que o motorista faça todos os cálculos necessários para escolher a opção que melhor beneficia o seu bolso. E para isso, é necessário planejamento, paciência e muita pesquisa para tomar a melhor decisão.